A perícia psicológica envolvendo suspeitos de abuso sexual contra crianças e adolescentes
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As evidências de um abuso sexual nem sempre são físicas, ou fáceis de coletar com crianças e adolescentes, por este motivo, autoridades policiais e judiciárias têm solicitado o auxílio de psicólogos para investigação e produção de provas técnicas. A participação dos supostos agressores nas perícias psicológicas não é consenso entre os profissionais da área, que muitas vezes restringem suas avaliações à criança e um de seus responsáveis. O presente estudo teve por objetivo conhecer como são realizadas as perícias psicológicas que envolvem os suspeitos de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa, com quatro profissionais psicólogas que trabalham na área, a fim de investigar suas maneiras de elaboração de avaliações psicológicas bem como quais são os desafios encontrados, procedimentos e instrumentos utilizados, as dificuldades e principalmente a percepção da inclusão dos supostos agressores nas perícias. Os resultados indicaram que não há um padrão de elaboração da avaliação, mas as profissionais ressaltam a importância da participação do suspeito nos procedimentos. Elas sentem-se preparadas para este tipo de trabalho, mas compreendem a complexidade e ressaltam a importância de qualificação técnica e do desenvolvimento de instrumentos específicos. Ainda, informam que procuram ser objetivas e claras em seus documentos, no que diz respeito a apresentar resultados da avaliação. Este estudo demonstra a necessidade de se repensar os benefícios da inclusão do suposto abusador nas perícias psicológicas, bem como a importância do desenvolvimento de instrumentos que possam auxiliar nesse processo.
