“Não sou mais quem eu era”: o diálogo construído na construção da identidade em narrativas de uma pessoa com Doença de Alzheimer
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O envelhecimento da população é uma realidade que tem gerado preocupação em diversos âmbitos. Por demandarem cuidados específicos, os idosos são um grupo de atenção na área da saúde. Dentre as patologias cujo fator agravante é a idade, encontra-se a Doença de Alzheimer (DA). Em recentes estudos (BATEMAN; MC MADE, 2017), estimou-se que, até 2030, uma em cada três pessoas com mais de oitenta anos terá desenvolvido a DA. Apesar desse prognóstico, ainda são indefinidas suas causas e possíveis tratamentos. Dessa forma, fica claro o quão importante é voltar a atenção para como esses indivíduos interagem com o mundo social que os cerca. Nesse contexto, a presente monografia apresenta um estudo de cunho qualitativo interpretativista no qual foram analisadas narrativas que emergiram em entrevistas com uma participante portadora da DA. Tais entrevistas narrativas, posteriormente transcritas, foram feitas pelo Grupo NIL (Narrativa Interação e Linguagem). O trabalho baseia-se na concepção de que as narrativas são uma co construção entre os interagentes, refletindo e desenvolvendo significados e identidades (FREITAS, 2017; BASTOS; ANDRADE, 2015; FLANERRY, 2015). Dentro dessas narrativas e do processo de construção identitária, o estudo voltou-se para os usos do diálogo construído, conforme proposta de Tannen (2007). Objetivou-se, assim, compreender de que maneira a participante utilizou o diálogo construído como forma de construção identitária em suas narrativas. Para tanto, foi feita uma busca por ocorrências do uso desse recurso linguístico, sua classificação conforme a autora anteriormente citada descreve e uma análise dentro da interação. Os resultados mostraram que há indícios de uso do diálogo construído como forma de expressar pensamentos complexos, bem como de validação de características e argumentos. Percebeu-se que, apesar das dificuldades causadas pela DA, a participante foi capaz de se manter ativa nas interações, utilizando recursos linguísticos. Nas interações analisadas, também ficou claro como o pesquisador tem um papel relevante nas interações promovendo as narrativas e auxiliando na construção de sentido.
