Narrativas e identidades de filhos e filhas de migrantes cearenses na Pérola do Tapajós
Arquivos
Data de defesa
Autor(a)
Orientador(a)
Título do periódico
ISSN
Título do volume
Nome da instituição
Departamento
Programa
Agência de fomento
Esta pesquisa tem como objetivo principal investigar como são construídas, em suas narrativas orais, as identidades de filhos e filhas de migrantes cearenses, da segunda geração, residentes na área urbana da cidade de Santarém (PA), que vieram para a cidade nas décadas de 70 ou 80, perante o discurso dominante de desprestígio social. Fazem parte da pesquisa três participantes: duas mulheres e um homem, da faixa etária entre 44 e 52 anos. A pesquisa é de natureza qualitativa interpretativista com análise de narrativas. Para a geração de dados, utilizou-se a entrevista narrativa por meio do Google Meet e do WhatsApp com gravação de áudio e/ou vídeo. A investigação vale-se de pressupostos de Labov (1972), Labov e Waletzki (1962), Ochs e Capps (2001), Bucholtz e Hall (2005), Goffman (2008), Link e Phelan (2001), dentre outros. Assim, subsidiado por esse arcabouço teórico e metodológico, nas análises feitas, foi possível observar que as narrativas que emergiram na interação são usadas para construir uma identidade de resiliência e de superação. Isso pode ser observado no tema das narrativas que destacam a migração e a fixação, enfatizando as adversidades sofridas no Ceará e no Pará. As narrativas não apenas relatam eventos, mas constroem e renegociam identidades. Ao enfatizarem a resiliência frente às adversidades, os participantes constroem uma identidade de superação e de integração; quando mencionam discriminações, refletem experiências de exclusão, oposição ou negociação cultural. As entrevistas funcionam como locus de resistência ao preconceito, ao permitirem a emersão de narrativas que valorizam aspectos positivos de sua identidade, subvertendo, assim, estereótipos depreciativos. As narrativas analisadas também evidenciam que a capacidade de transitar entre a comunidade cearense e a paraense é ambígua: pode gerar sentimentos de aceitação ou de estar “entre mundos” sem pertencer completamente a nenhum dos dois; mas também pode levar o indivíduo a mesclar elementos culturais das duas comunidades, gerando uma cultura híbrida, que converte a multiculturalidade em interculturalidade. Observa-se também que os encontros familiares, compartilhando histórias repletas de ensinamentos e valores, reforçam o senso de pertencimento e continuidade dos filhos de migrantes. Por fim, a hibridação cultural pode construir uma identidade conflituosa, já que os filhos de migrantes buscam, simultaneamente, honrar suas raízes culturais e alcançar aceitação e sucesso na sociedade paraense. Esses resultados evidenciam um contexto para o qual se fazem necessárias mais pesquisas para verificar e melhor compreender o impacto da migração na construção identitária de filhos de migrantes, dando-lhes voz e visibilidade.
