Dos estigmas a uma autonomia possível: enquadramentos comunicacionais e narrativas pessoais sobre as experiências de ser prostituta

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola da Indústria Criativa

Programa

Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

A pesquisa busca compreender como a prostituição e as mulheres prostitutas são visibilizadas em espaços comunicacionais digitais brasileiros, relacionando essas percepções às narrativas elaboradas por prostitutas sobre si mesmas e sobre suas experiências. Partindo da proposta do projeto de lei 4.211/2012, que propõe a regulamentação da prostituição como profissão, pretendemos identificar os enquadramentos comunicacionais existentes nas notícias e discussões que enfocam a questão na internet, bem como observar os espaços destinados às experiências e opiniões das pessoas que vivenciam o fenômeno. Pensando que interagir com integrantes deste grupo estigmatizado pode suscitar compreensões para além das representações hegemônicas e dos estereótipos que definem o que é a prostituição, a pesquisa procura privilegiar as vozes das prostitutas e relacioná-las aos conteúdos comunicacionais selecionados. Teoricamente, buscamos articular estudos sobre prostituição, gênero e sexualidade aos conceitos de narrativa e enquadramentos comunicacionais. Para a pesquisa empírica, estabeleceu-se um percurso metodológico dividido em diferentes fases. Em um primeiro momento, efetuou-se uma investigação de inspiração etnográfica junto ao Núcleo de Estudos da Prostituição, entidade que congrega trabalhadoras do sexo em Porto Alegre, onde foi possível acompanhar o cotidiano de militantes e conhecer trajetórias e histórias de mulheres prostitutas. Durante esse período, foram realizadas entrevistas com oito profissionais do sexo que frequentam o NEP. Em outra etapa, objetivando identificar os enquadramentos comunicacionais presentes nos debates sobre o tema circulantes na internet, analisamos 65 textos de distintos autores publicados em portais de notícias, sites feministas, portais religiosos, blogs de temática variada, sites de ONGs e partidos políticos e sites governamentais. A partir das entrevistas e da convivência com as prostitutas, destaca-se a percepção da necessidade de refletir sobre o fenômeno sem partir de explicações fixas sobre seu significado na vida dessas pessoas. A análise nos permitiu traçar aproximações e distanciamentos entre as narrativas das prostitutas e os entendimentos sobre a prostituição divulgados nos espaços comunicacionais, assim como visualizar a existência de uma disputa sobre os sentidos da prostituição em nossa sociedade.


Tema (CNPq)

ACCNPQ::Ciências Sociais Aplicadas::Comunicação

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