Análise de comentários on-line no Facebook: a ciberviolência e a representação da figura do jornalista

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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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Agência de fomento

Resumo

O advento da internet, mais especificamente da web 2.0, trouxe mudanças significativas ao modo como o público leitor de notícias interage com os jornalistas. Se antes havia apenas a carta do leitor para que uma parcela muito restrita do público manifestasse sua concordância ou discordância em relação ao conteúdo da publicação, agora existem outras ferramentas muito mais rápidas, dinâmicas e democráticas, como é o caso do comentário on-line. Entretanto, essa ferramenta pode apresentar os mais variados tipos de comentários, desde os mais polidos aos mais agressivos, nos quais, às vezes, é possível observar a presença da ciberviolência. Por essa razão, este trabalho busca investigar possíveis representações da figura do jornalista em co mentários on-line de uma notícia sobre agressões a jornalistas. Para tanto, foi necessário: a) identificar, na notícia, o fim discursivo e as características próprias do discurso digital nativo (PAVEAU, 2021); b) classificar os comentários on-line de acordo com a tipologia prevista pela análise do discurso digital, proposta por Paveau (2021); c) verificar se existem inscrições de ciberviolência nesses comentários, e caso presentes, classificá-las conforme tipologia da Análise do Discurso Digital; d) constatar se os internautas fazem uso do argumento ad hominem nos comentários discursivos que retomam a figura do jornalista (FIORIN, 2015). Para isso, analisou-se primeiramente o discurso da notícia selecionada e, em um segundo momento, buscou-se empregar análises quanti e qualitativa aos cinquenta primeiros comentários que se seguem ao post da chamada dessa notícia no Facebook do UOL. Diante disso, verificou-se que i) existe uma maior incidência do uso de comentários discursivos em detrimento dos metadiscursivos; ii) a figura do jornalista é ora retratada como um militante de esquerda que ataca a direita em busca de benefícios próprios, ora como alguém que ajudou a direita a retirar a esquerda do poder e por isso não devia reclamar ao ser agredido iii) o uso da ciberviolência e da argumentação ad hominem é bastante fre quente nesses comentários. Deste modo, constata-se que a figura do jornalista não é benquista por parte dos usuários que se utilizam do tecnogênero comentário on-line no Facebook para expressar suas considerações acerca do discurso produzido pelos jornalistas.