“Porque não desejava criar filhos”: crime, maternidade e loucura no Rio Grande do Sul, década de 1920
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Este trabalho propõe-se a analisar a trajetória de uma jovem mulher que passou por duas instituições de controle do Estado do Rio Grande do Sul na década de 1920: o Hospício São Pedro e o Manicômio Judiciário. Utilizando o nome da internada como fio condutor da pesquisa, foi localizado no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS) o seu processo-crime. A jovem é uma mulher menor de idade, parda, cozinheira de uma fazenda na cidade de São Gabriel, e acusada de cometer um infanticídio. A partir do cruzamento de fontes entre o seu processo-crime e um prontuário médico, este trabalho tem como objetivo revelar como os discursos jurídicos e psiquiátricos foram construtores do julgamento da ré, e como este processo nos ajuda a compreender as construções de gênero, classe, raça, maternidade e loucura no Rio Grande do Sul durante a Primeira República. Analisando o caso, concluímos que o saber jurídico e médico colocavam as mulheres como biologicamente mais suscetíveis à falta de sanidade. Esses espaços de internação de louco(a)s e criminoso(a)s, sobretudo aquelas que desviavam do esperado comportamento feminino, serviam como lugares de reeducação para as jovens mulheres.
