A auxiliaridade verbal e a produção de sentidos: uma abordagem enunciativa
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O principal objetivo deste trabalho é a análise da relação entre a sintagmatização empreendida pelo locutor quando faz uso de perífrases verbais e a semantização decorrente desse arranjo sintagmático. A fim de amparar essa análise, recorre-se à Teoria da Enunciação de Émile Benveniste, segundo a qual forma e sentido são noções intimamente vinculadas em todo ato enunciativo. A análise fundamenta-se também nas contribuições dos linguistas Maria Helena de Moura Neves (2000 e 2018), Castilho (2010) e Vilela e Koch (2001) quanto aos papéis dos verbos auxiliares. Assume-se o quadro teórico-metodológico da Enunciação proposto por Benveniste, no artigo “O aparelho formal da enunciação” (1989): são analisados, sucessivamente, o ato enunciativo, as situações em que ele se realiza e os instrumentos de sua realização. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, e o objeto de estudo são dois artigos de opinião publicados nos jornais Zero Hora e Folha de São Paulo. A análise empreendida mostra que, na sintagmatização verbo auxiliar + verbo principal e na sintagmatização textual, o verbo auxiliar não funciona meramente como marcador gramatical – de número-pessoa, tempo-modo e aspecto −, mas assume um papel relevante na produção de sentidos e na construção da referência
