Os outros animais em juízo: entre a coerência jurídica e o especismo processual no Brasil
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Esta pesquisa analisa a possibilidade de afirmar que os animais possuem personalidade jurídica e natureza jurídica de pessoas naturais no direito brasileiro. Investiga-se se as noções de personalidade jurídica e pessoas naturais são inaplicáveis aos animais ou se a negativa de sua aplicação reflete uma interpretação jurídica influenciada por moral excludente e especismo. O problema central da pesquisa consiste em responder à seguinte pergunta: como é possível defender que, a partir da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil em 1988, os outros animais possuem personalidade jurídica e judiciária? Para tanto, parte-se da hipótese de que é possível fornecer uma interpretação racionalmente justificada das normas constitucionais e infraconstitucionais que regulam a posição jurídica dos outros animais no Brasil, a partir de uma retomada crítica das categorias e conceitos da Teoria Geral do Direito e do Processo, associada à hermenêutica dos direitos fundamentais e às contribuições do Direito dos Animais ao pensamento jurídico brasileiro. Pretende-se, assim, com identificar a possibilidade de reconhecimento da capacidade jurídica e judiciária dos outros animais, propondo um novo paradigma sobre os sujeitos do direito e do processo. A pesquisa está dividida em três capítulos. O primeiro aborda os conceitos da Teoria Geral do Direito e do Processo, que servem de base para a análise. O segundo explora, com base na literatura científica, a personalidade natural dos animais e suas capacidades, verificando a possibilidade de inclusão desses entes nas relações jurídicas. No terceiro capítulo, são analisadas as teses doutrinárias sobre a natureza jurídica dos animais e a coerência de sua aplicação, com base nos conceitos da Teoria Geral do Direito. Também são apresentadas decisões judiciais que posicionam os animais como sujeitos de direitos, a fim de avaliar a coerência dessas interpretações. Conclui-se que, com base nas normas do direito positivo e em uma compreensão não especista da Teoria Geral do Direito, os animais devem ser reconhecidos como pessoas naturais, com personalidade jurídica e capacidade para ter direitos.
Assunto
Direitos fundamentais animais
Teoria geral do direito
Capacidade jurídica
Personalidade jurídica dos animais
Animal rights
Fundamental animal rights
General theory of law
Legal capacity
Legal personality of animals
Derechos de los animales
Derechos fundamentales de los animales
Teoría general del derecho
Capacidad jurídica
Personalidad jurídica de los animales
