Uma análise das relações comprador-fornecedor na cadeia de suprimentos de produtos orgânicos no Brasil
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Este trabalho apresenta uma análise das relações comprador-fornecedor na cadeia de suprimentos de produtos orgânicos no Brasil, por meio de um estudo de caso sobre como se caracterizam os relacionamentos entre o Grupo Pão de Açúcar e os seus fornecedores de frutas, legumes e verduras (FLV) envolvidos na cadeia de suprimentos da marca própria Taeq para sua linha de produtos Taeq Orgânico. O referencial teórico alia conceitos sobre varejo, estratégia das operações, cadeia de valor e rede de operações, gestão da cadeia de suprimentos e relações comprador-fornecedor. As relações comprador-fornecedor são apresentadas de acordo com o referencial de análise proposto em duas perspectivas: episódios de interação e relacionamentos que juntas definem o ambiente operacional no qual compradores e fornecedores interagem, compreendendo a redução na base de fornecedores, o relacionamento de longo prazo, o envolvimento do fornecedor no desenvolvimento de produto e a qualidade como critério prioritário para seleção e avaliação de fornecedores; bem como as dimensões dos relacionamentos criados neste contexto que contemplam a comunicação, as equipes multifuncionais, o compromisso, a cooperação, e as operações conjuntas. São observadas diferenças na caracterização dos relacionamentos a partir do varejo em todas as características observadas em relação aos constituídos entre intermediário atacadista, produtor-coordenador e produtor. Percebe-se que os relacionamentos entre comprador e fornecedores na cadeia de suprimentos de produtos orgânicos a partir de uma grande rede varejista se caracterizam por uma assimetria refletida na capacidade do varejo em exercer poder, influência ou controle sobre a cadeia de suprimentos em função de seu poder de compra e proximidade com o consumidor final; e pela busca da eficiência, em função da necessidade do varejo melhorar a relação custo/benefício de seus processos o que, em alguns momentos, impacta na confiança entre as partes, além da dependência do varejo em relação aos fornecedores em função da indisponibilidade de produtos que atendam a demanda atual. Porém, as práticas de relacionamento entre o comprador e seus fornecedores estão em constante mudança, devido às grandes alterações nos ambientes e à crescente necessidade de responder cada vez mais rápido às necessidades dos clientes, o que implica em uma dinâmica que permite a identificação de estruturas diversas e singulares. Adicionalmente, se percebe que a busca de diferenciação do varejista por meio da introdução de uma dimensão social na sua proposta de valor, na associação com marcas próprias de produtos orgânicos não assegura a extensão a toda a cadeia de suprimentos de orgânicos, mas gera benefícios à sociedade ao estimular a inclusão de pequenos produtores em cadeias produtivas mais elaboradas, promover a melhoria da saúde dos produtores ao adotarem a produção orgânica, sem o uso de agrotóxicos.
