Abordagens docentes para práticas de leitura no ensino médio: um estudo em duas escolas públicas de Cuiabá–MT
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Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar as práticas de leitura desenvolvidas por professores de Língua Portuguesa e a sua percepção sobre como os estudantes interagem com as atividades de leitura, a partir dessas abordagens. Como problema de pesquisa, busca-se responder: como as abordagens docentes para práticas de leitura são concebidas e implementadas no ensino médio, por professores de Língua Portuguesa, e em que medida essas práticas podem contribuir para o desenvolvimento da competência leitora e crítica dos estudantes? Os objetivos específicos incluem identificar as estratégias pedagógicas adotadas pelos professores no desenvolvimento dessas práticas, conhecer a percepção dos docentes sobre o engajamento dos estudantes nas atividades de leitura em sala de aula e investigar de que forma tais práticas dialogam com as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o ensino de Língua Portuguesa. A fundamentação teórica articula os aportes de Paulo Freire, Magda Soares, Mikhail Bakhtin, Gert Biesta, Roxane Rojo, Isabel Solé, Maria Cláudia Dal’Igna, Maria Helena Martins e António Nóvoa, que compreendem a leitura como prática social, dialógica e emancipatória, que ultrapassa a decodificação de palavras e se configura como ato de produção de sentidos, diálogo e consciência crítica. O estudo, de natureza qualitativa, foi realizado em duas escolas públicas de Cuiabá, Mato Grosso, utilizando entrevistas semiestruturadas para a coleta de dados. As entrevistas permitiram identificar concepções, estratégias e desafios dos professores, além de suas percepções sobre a BNCC e sobre o interesse e a participação dos estudantes. Os resultados mostram que os professores entendem a leitura como prática viva e social, capaz de ampliar a visão de mundo e favorecer a autocompreensão e a consciência crítica. Contudo, suas intenções pedagógicas são tensionadas por um sistema educacional que privilegia indicadores mensuráveis, metas de desempenho e formas padronizadas de ensino, muitas vezes em detrimento da escuta e da multiplicidade de sentidos que a leitura pode suscitar no cotidiano escolar. Embora reconheçam o caráter emancipador da leitura, os docentes enfrentam dificuldades para sustentar práticas dialógicas diante das exigências burocráticas e da homogeneização curricular. Apesar disso, buscam preservar propostas que fortaleçam a escuta, o debate e a reflexão crítica, articulando os textos às vivências e ao contexto social dos estudantes.
