Por uma sociologia para os estudos de tradução: reflexões a partir da estratégia DRS do Banco do Brasil
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FAPERGS - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul
A Tese desenvolve a ideia do trabalho de tradução proposta por Boaventura de Sousa Santos. O concebemos como a simbiose de dois processos, um de inteligibilidade e outro de articulação. Refletimos sobre como entendê-lo, uma vez que a conceituação original é aberta; em como estudá-lo ou analisá-lo, mas também em como realizá-lo no universo concreto das práticas sociais. Os dois principais articuladores teóricos são o próprio Santos, a partir da reflexão sobre a transição paradigmática, da sociologia das ausências e emergências e da compreensão epistêmica para a reinvenção da emancipação social; e Antonio Gramsci, a partir da interpretação superestrural da dialética de dominação marxista, contida nas reflexões sobre hegemonia, sociedade civil e estado ampliado. Também foram utilizadas elaborações sobre o senso comum e os intelectuais orgânicos, resignificados na figura dos tradutores. Especificamente para a reflexão sobre o pensamento de Gramsci, valemo-nos das leituras de seus comentadores Perry Anderson, Norberto Bobbio e Carlos Nelson Coutinho. A reflexão se estabeleceu, sobretudo, nas aproximações possíveis entre Santos e Gramsci. Além dos dois pensadores centrais, nos valemos da ideia de campos sociais e dos conceitos de capitais sociais e culturais de Pierre Bourdieu; também da tipificação das lógicas da identidade, totalidade e oposição de Alain Touraine. Empiricamente, empreendemos um estudo de caso sobre três planos da estratégia de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil – DRS. Atuamos nesse programa entre os anos de 2007 e 2012. O estudo entende os processos de Concertação, fundamento do DRS, como um processo de tradução aplicada. As principais conclusões são: a proposição da ideia de Capitais de Tradução, de sua relevância para além dos antagonismos; dos benefícios da adição de um Conteúdo Opositor Comum – COC – para as Traduções; e da indicação do uso de metodologias de trabalho-educação a partir da Cooperação e da Economia Solidária. Também estabelecemos uma tripla tipificação para os Trabalhos de Tradução: Traduções Emancipatórias; Traduções Emancipadoras e Traduções Diretivas e Ampliadas. Neste caso, estabelecemos a necessidade de identificação da função diretiva da hegemonia como um COC.
