Anéis de crescimento em espécies da família Lauraceae: características anatômicas e sinais dendroclimáticos

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Título do periódico

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola Politécnica

Programa

Programa de Pós-Graduação em Biologia

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

Anéis de crescimento são estruturas anatômicas, formadas no xilema secundário de plantas, que demarcam ciclos de crescimento e dormência em resposta a regimes climáticos sazonais. Visto que cada anel corresponde a um ciclo anual de crescimento e que variam suas características em função das condições do meio físico e biótico, essas estruturas são registros históricos únicos, com alta resolução e extensão temporal sobre mudanças ambientais. A dendrocronologia – ciência que investiga anéis de crescimento em plantas – é ainda incipiente em ecossistemas tropicais, dado seu avanço em regiões temperadas, e deve ser desenvolvida, uma vez que provém informações sobre autoecologia, ecologia florestal e climatologia, bases para o manejo da biodiversidade tropical. Reconhecer espécies com anéis de crescimento anatomicamente visíveis no xilema e sensíveis a flutuações climáticas é o passo primordial para o desenvolvimento da dendrocronologia. Nessa dissertação eu reviso e desenvolvo estudos dendrocronológicos com espécies neotropicais da família Lauraceae, principalmente em remanescentes florestais do sul da Mata Atlântica, um dos hotspots mundiais de biodiversidade. Foco meus esforços em Lauraceae devido à importância ecológica e fisionômica das espécies para as florestas úmidas neotropicais. Informação sobre anéis de crescimento está amplamente disponível na literatura, principalmente em estudos de anatomia da madeira. É notável que grande parte das lauráceas forma anéis de crescimento, em diversos ecossistemas (139 das 156 espécies levantadas em revisão bibliográfica). Com o intuito de facilitar estudos futuros e o reconhecimento dos anéis, apresento uma lista de 156 espécies descritas pela aparência dos anéis e realizo descrições anatômicas de outras 14 frequentes no sul da Mata Atlântica. Estudando séries temporais de largura de anéis de crescimento, verifiquei que Ocotea puclhella, Cinnamomum glaziovii e Ocotea elegans, espécies que ocorrem em regiões montanas subtropicais do Brasil possuem tendências comuns de crescimento entre os indivíduos (sincronismo) e são sensíveis a variações climáticas relacionadas tanto à temperatura quanto à precipitação. Esses resultados contribuem para o avanço da dendrocronologia neotropical, contribuindo para o melhor entendimento sobre as características dos anéis de crescimento de uma das mais importantes famílias botânicas em regiões tropicais.