Dilemas da justiça social: redistribuição e reconhecimento no âmbito de coletividades ambivalentes

Carregando...
Imagem de Miniatura

Data de defesa

Autor(a)



Orientador(a)


Título do periódico

ISSN

Título do volume

Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Humanidades

Programa

Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

Esta tese é fruto de uma pesquisa realizada no ambiente urbano com trabalhadores informais de rua no Vale do Rio dos Sinos. Trata-se de uma população que se apresenta envolta em uma multiplicidade de conflitos e demandas sociais que permitem pensar a desigualdade com base em seus condicionantes econômicos, políticos e culturais. O ponto de partida para as discussões realizadas foi a constatação da existência de hierarquias valorativas que, ao classificar sujeitos e grupos, legitima uma distribuição desigual das possibilidades de vida. O debate, assim, foi ampliado para além das tradicionais reivindicações por redistribuição, passando a considerar, nesse processo, a importância das demandas por reconhecimento. Recorreu-se, então, ao princípio normativo de paridade participativa, formulado por Nancy Fraser, por entender ser ele capaz de dissolver as hierarquias e estabelecer situações em que os sujeitos e grupos possam interagir em condições de igualdade. Em decorrência, o objetivo geral da tese consistiu em refletir sobre a justiça social, fundamentalmente no que se refere ao tratamento institucional dispensado a grupos e sujeitos por ocasião da partilha de recompensas e ônus sociais. Os resultados da pesquisa indicam que matrizes culturais atuam no estabelecimento de hierarquias valorativas e na manutenção e reprodução de situações de desigualdade social. O trabalho, como bem de acesso, lida com formas de dominação, expressa valores, constitui microambientes e se desdobra em uma relação dialética que repercute no status adquirido e atribuído a quem dele participa. Na prática, a ressignificação das situações de trabalho (formal/infomal, legal/ilegal) tem representado, para a maioria desses trabalhadores, a institucionalização da precariedade das relações sociais de produção e de proteção social. Sugere-se, portanto, que esse cenário, associado ao caráter difuso dos conflitos, representa, nesse momento, grandes entraves ao processo de articulação e organização desses trabalhadores no tocante às demandas coletivas.