Avaliação da influência do método de mistura nas propriedades de concretos produzidos com agregado graúdo reciclado de concreto
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FAPERGS - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul
A reciclagem dos resíduos de construção e demolição (RCD) classe A é incentivada e a viabilidade do seu emprego como agregado alternativo em concretos e argamassas já vem sendo estudada por diversos autores. A fração de concreto do RCD é indicada como a mais viável para o emprego como agregado na produção de concretos, pois apresentam propriedades mecânicas mais elevadas que outras frações do RCD classe A, e características próximas à matriz na qual são inseridos. Porém, apresentam-se mais porosos e possuem propriedades mecânicas inferiores aos agregados convencionais. A porosidade do agregado de concreto reciclado influencia na sua absorção de água, o que geralmente altera a demanda de água da nova mistura, podendo desta forma, trazer prejuízos ao novo concreto, principalmente no estado fresco e na durabilidade. Muitas pesquisas têm incorporado o Agregado Graúdo Reciclado de Concreto (AGRC) ao concreto no início da mistura, o que faz com que o mesmo tenha maior tempo para absorver a água de amassamento durante o preparo e manipulação, trazendo prejuízos a consistência do concreto. Um dos métodos para mitigar este efeito é o seu emprego saturado ou parcialmente saturado com água, o que introduz uma etapa prévia de preparação do AGRC na produção do concreto. A presente pesquisa tem por objetivo comparar dois diferentes métodos de incorporação do AGRC na mistura de concreto, com o intuito de mitigar os efeitos da sua maior absorção de água. Alternativamente ao método tradicional, foi avaliada neste estudo a incorporação do AGRC seco ao final da mistura. Para avaliar estes concretos, foram realizados os ensaios de abatimento de tronco de cone (slump), resistividade elétrica no estado fresco, resistência à compressão, absorção de água por capilaridade e resistividade elétrica no estado endurecido. A consistência do concreto sofre menos influência do AGRC quando ele é incorporado no final da mistura. No entanto, a resistividade no estado fresco não aponta diferenças significativas entre os dois métodos. Já no estado endurecido, percebe-se que, por absorver água de amassamento, e com isso reduzir a relação a/c efetiva, a incorporação do AGRC na primeira etapa da mistura traz resultados de resistência à compressão, em alguns traços, superiores ao concreto de referência.
