A humanização do diabo em Lucifer: do algoz do inferno ao detetive com problemas de identidade

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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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Agência de fomento

Resumo

A humanização e protagonização de antagonistas clássicos estão se tornando cada vez mais comuns na literatura e mídia contemporâneas, portanto, torna-se ainda mais interessante analisar tal movimento. Este trabalho apresenta uma análise no âmbito da literatura comparada para compreender tal processo em um dos vilões mais antigos da história de nossa sociedade: o Diabo. A pesquisa tem como objeto de estudo a série Lucifer, na qual o Diabo torna-se o protagonista, ajudando uma detetive e tendo sua possível ascensão como anjo. É realizada uma análise da construção histórica do Diabo, de sua origem até a contemporaneidade, passando pela camuflagem imposta pela igreja em meados do século XX por conta do Iluminismo e, posteriormente, ascensão desta pela inconformidade dos românticos satânicos. Verificou-se que a construção histórica do Diabo, desde sua origem até a atualidade, contribuiu com a construção identitária deste, podendo ser observado o fator da rebeldia, da argumentação e poder da palavra, da androginia angelical e da tentação. Ao construir uma linha comparativa entre os Diabos de Gil Vicente e Ariano Suassuna, os Diabos contemporâneos de As Meninas Superpoderosas, South Park e Lucifer, é possível considerar que o contato das personagens com os homens os ressignificam e os humanizam. Seja ao longo da trama ou na sua construção pelos autores, as personagens adquirem certo carisma da audiência e muitas das características de nossa sociedade – inclusive possível redenção e um protagonismo heróico.