Infância, experiência e profanação dos dispositivos biopolíticos na filosofia de Giorgio Agamben

Carregando...
Imagem de Miniatura

Data de defesa

Autor(a)



Orientador(a)


Título do periódico

ISSN

Título do volume

Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Humanidades

Programa

Programa de Pós-Graduação em Filosofia

Agência de fomento

Nenhuma
Resumo

A presente tese analisa a experiência da in-fância e seus nexos com as categorias de forma-de-vida e profanação dos dispositivos biopolíticos, de acordo com o pensamento filosófico de Giorgio Agamben. Analisamos as seguintes questões: De que maneira(s) a infância, como experiência de potência, no âmbito da linguagem e política, é concebida no pensamento filosófico de Giorgio Agamben? A partir dessa discussão, quais são os nexos que podem ser estabelecidos entre infância, forma-de-vida e profanação dos dispositivos biopolíticos? Nesta direção, exploramos a hipótese de que a in-fância consiste numa experiência de potência, que se configura como uma via projetiva de acesso do infante à linguagem, em virtude da afirmação de sua voz política, entendida como ética. Essa projeção reflete o processo de constituição do humano em um constante devir, que designa o processo de subjetivação do ser na linguagem, em uma arquitetura existencial aberta, inconclusiva. A figura da criança reflete a potência da forma-de-vida do infante que vem, o ser qualquer que pode usar do jogo profano, para resistir eticamente, frente à operosidade do biopoder. No percurso dessa investigação, exploramos a dinâmica do jogo destituinte do infante que vem, espelhada na experiência lúdica da criança, a qual é considerada por este filósofo uma forma-de-vida. Nesse sentido, refletimos as performatividades lúdicas de personagens de potência, extraídos de narratividades, destacadas por Agamben em suas reflexões sobre a profanação; e, sobretudo, abordamos a experiência lúdica realizada pela criança, como um ensaio do jogo destituinte. Os resultados deste estudo afirmam a potência da infância e dos gestos como dois novos meios de desativação dos dispositivos secularizados, cuja referencialidade encontra na figura da criança o sentido da pura medialidade. Defendemos que as performatividades (des)criativas, realizadas pelas crianças nas experiências lúdicas, ensaiam meios de resistência ética, essencialmente lúdicos, que apontam para a emergência de uma biopolítica menor, originada dos espaços tangenciais, das cirandas humanas, nas quais a potência do jogo profano reflete a força da potência contingente, eficiente frente à operosidade dos processos expropriadores da potência humana. Refletimos a criança como aquela que brinca de ser a potência-do-não, conquanto detém a capacidade de suspender a carga de operosidade dos dispositivos secularizados, em um movimento que promove a abertura do campo da experiência à dimensão do reuso, categoria do pensamento agambeniano que remete ao lugar da restituição de qualquer objeto ao seu lugar comum. A dinâmica do puro jogo de potência da criança aponta para a irrupção do novo, a partir do reconhecimento de que oportunidade é um instante que se abre de modo inadvertido, atualizando a emergência da promessa messiânica. A forma-de-vida da criança é paradigma de potência, que espelha novos sentidos para a constituição da experiência histórica, a partir da revolução na dimensão do tempo.