O papel da vitamina D na síndrome metabólica

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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

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Agência de fomento

Resumo

A prevalência da obesidade tem crescido de forma assustadora em todo o mundo. A previsão da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que em 2015 serão 2,3 bilhões de adultos com sobrepeso e mais de 700 milhões de pessoas serão obesas em todo o mundo. A obesidade é considerada uma doença multifatorial, caracterizada pelo aumento excessivo do tecido adiposo, onde a ingestão energética prolongada excede o gasto. Desta forma, bioquimicamente, também pode ser conceituada como uma inabilidade dos mecanismos de homeostase de energia manter o equilíbrio da ingestão e do dispêndio de energia.Vários fatores são importantes na gênese da obesidade, como os genéticos, os fisiológicos e os metabólicos; no entanto, os que poderiam explicar este crescente aumento do número de indivíduos obesos parecem estar mais relacionados às mudanças no estilo de vida e aos hábitos alimentares. Pela sua prevalência aumentada, de magnitude epidêmica e estar correlacionada ao aumento na incidência de outras doenças e alterações metabólicas importantes, a obesidade tem se tornado um dos maiores desafios de saúde pública nos últimos tempos. Suas complicações incluem a resistência à insulina (RI), diabetes mellitus tipo 2 (DM2), a hipercolesterolemia, a hipertensão arterial (HAS), doenças cardiovasculares (DCV), apneia do sono, problemas psicossociais, doenças ortopédicas e diversos tipos de câncer, entre outras. O sobrepeso e a obesidade, especialmente pelo acúmulo de gordura abdominal, estão associados a um baixo grau de inflamação sistêmica que se manifesta pelo aumento circulante de citocinas pró-inflamatórias e de ácidos graxos. Isto pode interferir na função normal da insulina, induzindo a RI e ainda estar associado à disfunção das células betas pancreáticas. A RI é um fator patogênico para o desenvolvimento da DM2. Está associada a fatores de risco para DCV abrangendo a obesidade, a hipertensão e a dislipidemia. Além disto, a IR pode ser independentemente considerada preditiva de eventos cardiovasculares, câncer e todas as causas de morte, mesmo não estando associada à síndrome metabólica e seus componentes. A função da vitamina D está amplamente relacionada com o desenvolvimento e manutenção do tecido ósseo pela preservação da homeostase normal do cálcio e fósforo. Entretanto indícios sugerem a participação desta vitamina em outros processos celulares vitais como: diferenciação e proliferação celular, secreção hormonal (por exemplo: insulina), anormalidades lipídicas, bem como no sistema imune e em diversas doenças crônicas. Em todas as fases da vida, o coeficiente adequado de Vitamina D é essencial. É consensual que o melhor indicador dos níveis desta vitamina é a concentração sérica do calcidiol (25(OH)D). A absorção de cálcio e a mineralização óssea encontram-se diretamente comprometidas quando os níveis sanguíneos de calcidiol estão baixos. A homeostase alterada da Vitamina D tem sido relacionada com o desenvolvimento de obesidade, hipertensão, intolerância à glicose e síndrome metabólica. Por estes motivos tem sido avaliada como fator de risco no aumento de eventos cardiovasculares. A vitamina também foi relacionada de forma independente, a todas as causas de morte, com base da análise do National Health and Nutrition Examination Survey III (NHANES III).