Efeito da sazonalidade sobre as populações de três espécies de pequenos mamíferos não voadores ocorrentes no limite sul de distribuição da Mata Atlântica
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Uma das hipóteses para explicar a diversidade da fauna associada a florestas tropicais é a variedade de recursos abióticos e alimentares, os quais podem ser influenciados pelas variações da heterogeneidade das paisagens locais. A ação destes aspectos físicos sobre os componentes ecológicos das comunidades são de extrema importância para pequenos mamíferos. Os aspectos ecológicos sensíveis à variações da paisagem podem responder pelas diferenças nas distribuições geográficas apresentadas por pequenos mamíferos, além de influenciar na composição das comunidades, principalmente em decorrência dos efeitos da fragmentação e do isolamento de habitat. O presente estudo objetivou a investigação da abundância e da variação sazonal de pequenos mamíferos não voadores do Parque Estadual de Itapuã (PEI), Viamão, RS (30°20’45,09”S; 51°01’33,27”W), avaliando a relação entre heterogeneidade da paisagem, oferta de recursos alimentares e abundância nas populações de três espécies de roedores Sigmodontíneos (Oligoryzomys nigripes, Akodon montensis e Sooretamys angouya) que apresentam uma distribuição geográfica no Brasil relativamente ampla e sujeita a influências da paisagem. O esforço amostral total foi de 2.520 armadilhas/noite, em que foram capturados 167 indivíduos das três espécies. A espécie de maior abundância foi A. montensis (N = 117), e a menos abundante S. angouya (N = 19). Houve diferença significativa para a abundância das espécies entre as diferentes áreas de estudo, e entre as estações do ano (H = 10,874; g.l. = 4; P = 0,028). A oferta de recursos variou significativamente entre as estações do ano, mas não entre as áreas. Características do micro-habitat diferiram estatisticamente entre as áreas, e colaboraram para a formação dos agrupamentos na PCA. De maneira geral, apontou-se que as composição das áreas estudas parece ter maior relevância sobre os aspectos ligados a potencialidade de uso e ocupação de hábitats pelas três espécies, tendo suas variações de abundância justificadas pelos aspectos intrínsecos das formações vegetais, associado às mudanças climáticas sazonais.
