Parceria e dissenso na educação do campo: marcas e desafios na luta do MST

Carregando...
Imagem de Miniatura

Data de defesa

Autor(a)



Orientador(a)


Título do periódico

ISSN

Título do volume

Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Humanidades

Programa

Programa de Pós-Graduação em Educação

Agência de fomento

FORD - Programa Internacional de Bolsas de Pós-Graduação da Fundação Ford
Resumo

A parceria entre o MST e o Estado na promoção da Educação do Campo é o foco neste trabalho. Desde a perspectiva da participação popular, tendo em vista a transformação social, analisamos a parceria entre o MST e o Estado na promoção da Educação do Campo, realizada no âmbito do PRONERA. O objetivo central consiste em identificar seu significado no contexto amplo das parcerias que marcam, na atualidade, a relação entre Estado e sociedade na promoção das políticas sociais, buscando, ao mesmo tempo, perceber suas repercussões no MST, em vista de sua importância estratégica nas lutas sociais anticapitalistas. Partimos da compreensão de que a parceria na Educação do Campo tem uma potência diferenciada, formada no processo histórico que a constitui e na práxis dos seus sujeitos. Tal potência lhe favorece inscrever, no espaço institucional do Estado, o conflito que determina a Educação do Campo, o MST e o PRONERA. Por isso, entendemos que se trata de um espaço pedagógico potencialmente promotor de sujeitos e de práxis social subversiva à ordem dominante, cuja realização se relaciona diretamente ao posicionamento contra-hegemônico de tais sujeitos nas relações sociais. A obtenção dos dados foi guiada pelos princípios da pesquisa participante, considerando, especialmente, os aportes de Orlando Fals Borda, Carlos Brandão e Danilo Streck. A observação participante, análise documental e entrevistas foram as principais estratégias utilizadas. A epistemologia dialética fundamentou a construção analítica, cuja dinâmica implicou a articulação entre processo histórico, realidade atual e experiência, tendo em vista a apreensão do ser social a partir do processo de totalização das relações sociais. Nesse sentido, tomamos como ângulo de análise duas experiências de parceria em cursos formais de Educação do Campo, realizadas no Piauí, envolvendo o MST e a Secretaria de Educação do Estado. Na mediação teórica, destacamos a teoria do Estado ampliado em Gramsci, mediante os aportes de Ilse, Scherer-Warren, Glória Gohn e Alfonso Torres, que, situados no contexto latinoamericano, ajudam a dialogar com as teorias clássicas, especialmente a norteamericana e a européia. No campo da educação, Paulo Freire, Carlos Brandão, Marco Raúl Mejía, Conceição Paludo e Afonso Scocuglia são alguns dos autores que auxiliam na análise desde o movimento da educação popular. No que tange especificamente à Educação do Campo e seu movimento, tomamos como referências principais a produção da articulação nacional “Por uma Educação do Campo” e autores como Roseli Caldart, Mônica Molina e Bernardo Mançano. Ao final, concluímos que a potência da parceria na Educação do Campo, promovida pelo PRONERA, tem assegurado conquistas políticas e intelectuais importantes à luta do MST e a promoção de campo como lugar de possibilidades. No entanto, continuar avançando nessa direção exige sua superação, tendo em vista o objetivo da realização da Educação do Campo como política pública, sob a responsabilidade do Estado, e o horizonte estratégico da luta do MST pela transformação social. Tal superação implica a conservação dessas conquistas como patrimônio das lutas populares e, especialmente, dos povos do campo.