“Aquela que ficou presa” : os sentidos sobre o trabalho doméstico análogo à escravidão a partir da circulação midiática

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola da Indústria Criativa

Programa

Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

Essa investigação se propõe a refletir sobre a produção de sentidos em relação ao trabalho doméstico análogo à escravidão no Brasil. Partindo de alguns indícios observados (Braga, 2008) o objetivo é responder a seguinte pergunta de pesquisa: que sentidos são produzidos a partir da circulação midiática de casos de trabalho doméstico análogos à escravidão no Brasil? E de que forma o jornalismo atualiza e/ou mantém enquadramentos estigmatizantes em suas produções afetando o debate social sobre essa temática? A presente pesquisa trata-se de um estudo de caso midiatizado (Weschenfelder, 2020) com caráter etnográfico (Weber, 2009; Silva, 2019, Verón, 1983) e se deu a partir de dois movimentos metodológicos: a reflexão teórica-conceitual e a análise empírica com atores sociais. Na reflexão teórica, dialogamos com a fértil produção bibliográfica dos estudos em midiatização e circulação midiática (Carlón, 2020; Fausto Neto, 2018; Verón, 1980; Rosa, 2019) a partir de um caso observável: a história de Madalena Gordiano, mulher negra que foi escravizada por quase 40 anos na cidade de Patos de Minas, interior de Minas Gerais, e resgatada em 2020. Já na análise empírica, entrevistamos quatro mulheres negras que exercem o trabalho doméstico remunerado, e que vivem na Região Metropolitana de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul. No que tange ao chamado Caso Madalena, procuramos observar como se deu a circulação do acontecimento jornalístico em diferentes ambiências, assim como os seus rastros, os fluxos e os feixes de relações nos circuitos por onde se engendrou (Fausto, 2018; Verón, 1980, 2004). Já em relação às entrevistas, optamos por utilizar um questionário aberto semi-estruturado, preservando as identidades das interlocutoras (Escosteguy, 2008; Weber, 2009). Nos propomos nesta tese a compreender a circulação como um processo que não é neutro, mas que está imerso em lógicas coloniais, e assim por dizer racistas e patriarcais, que também se agenciam no fluxo comunicacional. Percebe-se que a circulação, longe de ser um produto, é um espaço de produção e de agenciamentos de valores que nascem com a midiatização, mas que se estruturam fora da mídia, contribuindo em certa medida para o pensamento crítico e o enfrentamento por parte de atores sociais. Como resultados, identificamos a midiatização enquanto um processo que amplia o debate sobre a analogia à escravidão para além do que é noticiado, com a circulação, colocando em perspectiva as trajetórias individuais de enfrentamentos e protagonismo, ora de forma libertária, ora acompanhando a forma social escravista da sociedade (Sodré, 2023). Certamente, longe de esgotar o debate, a intenção é que o estudo ajude a embasar outras reflexões sobre os temas da circulação, do jornalismo, da comunicação e gênero, sobretudo no que diz respeito aos estereótipos sobre pessoas racializadas na mídia.


Tema (CNPq)

ACCNPQ::Ciências Sociais Aplicadas::Ciências Contábeis

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