Os “usos políticos do passado” nas comemorações oficiais do biênio da colonização e imigração do Rio Grande do Sul (1974–1975)

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Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Humanidades

Programa

Programa de Pós-Graduação em História

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
PROSUP - Programa de Suporte à Pós-Gradução de Instituições de Ensino Particulares
Resumo

A presente dissertação tem como objeto de investigação as comemorações oficiais do Biênio da Colonização e Imigração, ocorridas no Rio Grande do Sul em 1974 e 1975. Promovidas pelo governo estadual, foram impulsionadas pela aproximação das datas comemorativas do Sesquicentenário da Imigração Alemã e do Centenário da Imigração Italiana. O objetivo inicial destas comemorações era homenagear os grupos imigrantes que contribuíram para a formação étnica do estado. Mas, ao longo do processo comemorativo, as homenagens foram estendidas aos grupos negros e indígenas, convertendo o discurso comemorativo. Sendo assim, o principal objetivo desta pesquisa é explicitar como o governo do Rio Grande do Sul fez uso do passado imigrante do estado ao longo das comemorações do Biênio da Colonização e Imigração. Para tanto, a análise do processo comemorativo foi construída em três momentos: 1) A organização das comemorações. Analisamos o Decreto de instituição dos festejos, responsável por deliberar as ações a serem tomadas ao longo do processo comemorativo, e também a cerimônia solene de instalação das comemorações mediante a presença de autoridades no Palácio do Governo do Estado. Investigamos também a formação das Comissões de Homenagem, compostas por sujeitos autorizados pelo governo, e que ficaram responsáveis pela criação dos Programas Comemorativos de seus respectivos grupos de origem. E, sentimos a necessidade de mapear as cidades participantes dos festejos e quantificar/qualificar os atos celebrativos promovidos, mediante o desmembramento da Programação Oficial. 2) As comemorações ao Pioneirismo Luso-Brasileiro, ao Sesquicentenário Alemão e ao Centenário Italiano. Através da análise da réplica da chegada dos imigrantes alemães e italianos tendo como espectador o Presidente Ernesto Geisel, da promoção de eventos e da criação de instituições de fomento aos estudos do passado imigrante do estado e da construção de monumentos, confirmamos a ênfase dada às comemorações destes três grupos. 3) Por fim, os atos celebrativos promovidos em homenagem aos demais grupos de imigrantes, negros e índios. Analisamos o processo de ampliação de grupos a serem homenageados, e a consequente mudança no discurso oficial destas comemorações.