Prazer da existência reconhecida (Per): experiências de travestis e transfemininas na educação formal

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Autor(a)



Orientador(a)


Título do periódico

ISSN

Título do volume

Nome da instituição

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Departamento

Escola de Humanidades

Programa

Programa de Pós-Graduação em Educação

Agência de fomento

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Resumo

Esta tese interroga as experiências de travestis e transfemininas na educação formal durante suas transições e assunções de identidade de gênero, concebendo a educação formal como território paradoxal de in/exclusão e, ao mesmo tempo, de afirmação, pertença, prazer e satisfação. A investigação tem por objetivo compreender como essas vivências se configuram, articulando interações de gênero e sexualidade, normativas educacionais e perspectivas não metafísicas como a teoria feminista e a teoria queer, com atenção especial aos prazeres que emergem nesses percursos. Adota-se abordagem qualitativa, ancorada em entrevistas narrativas, que privilegiam o autorreconhecimento das participantes e a produção situada de saberes. As 15 entrevistas narrativas foram realizadas entre 2022 e 2025, com participantes de diferentes regiões, estados e cidades do Brasil, selecionadas por amostragem em bola de neve, envolvendo sujeitas entre 23 e 59 anos, cujas trajetórias compõem um mosaico de contextos, gerações e itinerários formativos. As análises evidenciam que, ainda que atravessadas por violências, cisheteronormatividades e in/exclusões, essas trajetórias possibilitam a elaboração do “prazer da existência reconhecida”, apresentado como operador analítico construído a partir dos excertos das entrevistas. Esse prazer se manifesta em três eixos interligados: reconhecimento interpessoal, sentimento de competência e valorização do conhecimento. Tais eixos produzem fissuras nas lógicas hegemônicas, ativam deslocamentos e sustentam a incorporação social da diversidade e a afirmação de singularidades nos espaços de educação formal. Reafirma-se, assim, que, para travestis e transfemininas, a educação formal, mesmo atravessada por in/exclusão, normatividade e normalidade, também se configura como espaço de prazer pelas existências reconhecidas.