Resumo:
Objetivos: Investigar e comparar a associação entre má qualidade de sono e
trabalho noturno, assim como a associação entre privação de sono e obesidade em
mulheres trabalhadoras, estudo comparativo entre os anos de 2017 e 2022.
Métodos: Trata-se de um repeated survey comparando duas amostras
independentes de mulheres trabalhadoras no mesmo grupo empresarial, localizado
no Sul do Brasil, com um intervalo de cinco anos (2017: n = 399; 2022: n = 399). A
má qualidade do sono foi identificada através do Índice de Qualidade de Sono de
Pittsburgh (PSQI > 5), a privação do sono foi determinada pelas horas de sono usual
(≤ 5 horas) com ou sem relato para uso de medicamentos para dormir no último
mês, enquanto a obesidade foi avaliada e definida por meio da mensuração do IMC
≥ 30 kg/m2. Razões de prevalência (RP) e seus intervalos de confiança de 95% (IC
95%) foram obtidos por meio de regressão de Poisson com variância robusta.
Resultados: A média de idade das amostras foram de 35,7 + 9,1 anos em 2017 e
34,2 + 9,9 anos em 2022. A prevalência de má qualidade de sono aumentou (p =
0,007) entre 2017 (58,3% IC95% 53,4-63,2%) e 2022 (67,7% IC95% 63,0-72,3%),
enquanto as prevalências de privação do sono foram de 27,6% (IC95%: 23,2–32,0)
e 24,3% (IC95%: 20,1–28,5), respectivamente em 2017 e 2022; sem diferença
significativa entre os dois períodos. As prevalências de obesidade foram de 29,0%
(IC95%: 24,5–33,5) e 30,6% (IC95%: 26,0–35,1). Trabalhadoras do turno noturno
tiveram uma probabilidade 30% maior de má qualidade do sono em 2017 e 25%
maior em 2022, quando comparadas as trabalhadoras do turno diurno. Enquanto
que as trabalhadoras com privação do sono apresentaram uma probabilidade 70%
maior de ter obesidade, quando comparadas as trabalhadoras sem privação do
sono. Conclusão: Nossos achados demonstraram elevada prevalência de má
qualidade de sono, privação de sono e obesidade em mulheres trabalhadoras.
Promover a investigação sobre fatores relacionados ao sono no ambiente
ocupacional, especialmente em mulheres trabalhadoras em turnos, deve ser
considerada para a elaboração de estratégias de prevenção e controle de agravos
em saúde como a obesidade.